Todas as Principais Classes de Ativos Estão Supervalorizadas. É Hora do Gerenciamento de Risco.

Principais Ideias

  • Como identificar uma bolha financeira antes que ela te custe dinheiro.
  • Porque o Bitcoin é um sintoma do problema, não o problema em si.
  • O único ingrediente que faltava para um topo histórico e final do mercado de proporções épicas.
  • Estratégias específicas de gerenciamento de risco que protegerão seu portfólio.

É hora de se preocupar.

Não é natural que o mercado de ações avance – implacavelmente – para uma supervalorização extrema, quase sem volatilidade. É unilateral. É anormal.

Um mercado saudável acena para cima e para baixo dentro de uma tendência geral porque há um equilíbrio entre compradores e vendedores.

Não é natural que os títulos sejam negociados a taxas de juros negativas em muitas partes do mundo, com as taxas de juros americanas se aproximando de zero. Também não é natural que a curva de juros se inverta (ainda não aconteceu, mas muito próxima) onde a ponta curta tem taxas de juros mais altas do que a ponta longa.

Um mercado de crédito saudável paga juros pelo uso do dinheiro e cobra um prêmio pelo risco extra de empréstimos por períodos mais longos.

Não é natural que as pessoas troquem o equivalente a um carro novo por bits e bytes no éter da Internet (também conhecido como criptomoeda) criado do nada por “algum cara” desconhecido nos recessos escuros de seu computador. 

Assim como não é natural que qualquer “moeda” sólida suba milhares por cento em um ano, ou que os cidadãos comuns “explorem” milhares de novas “moedas” em um ano para lucrar com a cripto-mania.

Pior ainda, não posso mostrar como é uma moeda saudável porque toda moeda hoje é “fiduciário”, explicando o cenário econômico insalubre que deu origem ao Bitcoin e a todas essas outras bolhas financeiras – segura que eu volto nisso mais abaixo…

Evidente que eu ainda poderia adicionar os imóveis a esta lista de frenesi especulativo porque – certamente – se qualifica, mas o resto é tão louco-extremo que torna a bolha imobiliária pálida e apática, em comparação. Mas, obviamente, esse fato também não é saudável.

Algo está errado hoje.

Seriamente errado.

Como disse Warren Buffett, “tenha medo quando os outros são gananciosos e seja ganancioso quando os outros estão com medo”.

A ganância está em todas as principais classes de ativos. Então…

É hora de ficar com medo.

Eu não Queria Começar com Isso, MASSS…

Essa bolha me incomoda mais do que as três últimas (bolsa em 2000, imobiliário em 2007, mercado de títulos de 2013 até o presente).

Essa é maior, mais violenta e perturbadoramente diferente.

No passado, eu recebia essas incorrências como uma grande oportunidades de compra fabricadas pelo governo para gestores de risco inteligentes.

Mas há algo errado com a bolha de hoje que me deixa mais cauteloso do que o normal.

Não que bolhas de ativos devam ser “normais”, mas essa é a realidade dos mercados manipulados pelo governo com os quais vivemos hoje – nesse ponto é apenas questão de aceitar o que é, não de opinar.

Até agora, só observei com uma certa passividade a escalada da sobrevalorização em todas as principais classes de ativos, desfrutando do aumento de valores como outros investidores.

Não posso negar…  tem sido jornada incrivelmente lucrativa.

Eu até ignorei a mania especulativa do Bitcoin como uma linha lateral interessante – uma pequena bolha de estimação curiosa se você quiser – até que tive uma percepção perturbadora em dezembro, quando os preços empurraram o nível dos R$ 150.000 por moeda, o que – de certa forma – me motivou este artigo (Sim, eu estou “sentado” nisto durante dois meses porque realmente me incomoda… muito).

Algo muito importante está acontecendo, e o Bitcoin é um sintoma e a conclusão não é o que você esperava. Deixe-me explicar…

Como Identificar uma Bolha Financeira e O Seu Pico

Desde que comecei a dividir meu conhecimento no RotaFinanceira, todos me perguntaram sobre o Bitcoin. Sejam os clientes de coaching, clientes dos cursos, amigos, vizinhos… estão todos me perguntando sobre Bitcoin.

Vamos olhar dois eventos…

O primeiro foram os dois anos que antecederam o topo da avaliação final de 2000 no mercado de ações dos EUA. Todos queriam dicas importantes sobre ações para a bolha das “pontocom”. Empresas sem modelo de negócio e sem clientes estavam sendo avaliadas em milhões.

O NASDAQ foi vendido por um lucro insano de 200 vezes. Todos os envolvidos com ações de tecnologia estavam enriquecendo, e era uma “nova era” porque a internet mudaria todas as regras de avaliação para os negócios (parece muito com o “blockchain” e a criptomoeda hoje, não é?).

E esse era o canário da mina de carvão, típico de todas as verdadeiras manias, a emoção era tão forte e as crenças tão profundamente enraizadas que as pessoas literalmente não conseguem ver o óbvio.

Um evento similar foi comentado quando vendi meu negócio de gestão de tecnologia para gerenciar a exposição ao risco e escrevi avisos públicos (antes de este site ser um blog, ele era apenas um boletim informativo).

O segundo, foi durante os dois anos que levaram ao topo de 2007 no mercado imobiliário dos EUA. Cada ser humano queria enriquecer no mercado imobiliário. As pessoas ficaram tão cegas pela consistência e confiabilidade dos ganhos que a sabedoria convencional dizia que os imóveis nunca desabavam. A JURA?!

Ninguém acredita nisso hoje, mas essa era a verdade do investimento naquela época. Conheço casos para aquela bolha de inquilinos de prédios de apartamentos da classe C com um histórico de crédito tão ruim que, apesar de não se qualificar para um aluguel de $600 por mês, estavam comprando casas de $300 mil (eles ficaram conhecidos como “empréstimos mentirosos”). 

O cenário da mina de carvão – mais uma vez deixava de cantar e – demonstrava a cegueira impulsionada pela emoção da época. O declínio subsequente custou a muitos de suas economias de uma vida inteira.

La Bulle Du Jour

(A Bolha do Dia)

Compartilho essas histórias para que você possa ver como as bolhas de investimento se parecem à medida que ocorrem e como as pessoas que investiram nessas bolhas reagem – emocionalmente – aos sinais de alerta de problemas quando a bolha está em estágios finais.

A ordem de ocorrência foi:

  1. A supervalorização extrema cria a condição para um risco extremo de baixa.
  2. Em seguida, uma mania especulativa causa uma fase final de aceleração de preços, resultando em um pico emocional à medida que os participantes enriquecem. Isso atrai a atenção da mídia e os resultados da psicologia de manada.
  3. Terceiro, os participantes que estão financeiramente comprometidos com a bolha, tornam-se emocionalmente irracionais e agressivos à opinião contrária.
  4. E, finalmente, alguns indicadores técnicos quebram (as especificações dependem do mercado), sinalizando que o declínio começou.

Tenho ficado cada vez mais cauteloso nos últimos anos com base nos extremos de supervalorização em diferentes mercados (já que todos os principais mercados, exceto commodities, estão supervalorizados agora), mas continuei a dançar enquanto a música tocava. Os outros três sinais de alerta não estavam no lugar… ainda.

Minha primeira palavra de cautela veio através de um artigo que enviei a alguns amigos e familiares, anunciando a bolha do mercado de títulos no início de 2013. Nele, eu declarei que não havia nenhuma expectativa matemática positiva (líquida de inflação) restante no mercado de títulos, e que a única decisão sensata de investimento era sair da classe de ativos.

Enquanto alguns abraçaram a ideia, outros a ridicularizaram porque violava princípios firmemente  defendidos de alocação/diversificação de ativos. Mesmo que suportado por uma matemática de conclusões óbvias, prováveis e que já resistiu aos testes do tempo. Eles estavam cegos para a realidade. 

No geral, a resposta a esse artigo foi silenciada. Os comentários negativos eram racionais, indicando que nenhum extremo emocional havia sido alcançado, embora a matemática fosse inequívoca.

O movimento de mercado subsequente provou a tese (até agora) com as taxas de juros permanecendo hoje no intervalo em que estavam na data de publicação, o que apoiava a conclusão do melhor cenário (até agora) e comprovava que os investimentos teriam sido melhor se tivessem sidos realocados para ativos concorrentes e distantes dos títulos.

A longevidade e a profundidade dessa bolha do mercado de crédito, que atingiu extremos de mais de 5.000 anos, é a chave para entender porque todas as classes de ativos estão a um preço extremo agora.

Essa explosão de crédito é o que está impulsionando o crescimento das ações e do mercado imobiliário, porque os investidores são forçados a perseguir os ativos de risco em busca de rendimento, o que resulta numa precificação incorreta do risco.

É por isso que o mercado de ações continuou a marchar para novos máximos, seguindo uma incrível e recorde baixa volatilidade.

No momento em que este texto foi escrito, a única vez em que o mercado dos EUA foi mais supervalorizado, conforme medido pelo índice CAPE, foi na estreita janela de meses anterior ao topo final de 2000. Outras medidas de avaliação além do CAPE estão atingindo novos máximos. Pior ainda, os níveis de avaliação mais baixos do que os atuais constituem um Quem é Quem dos piores momentos para investir em ações.

Além disso, os títulos, como já foi dito, estão em território desconhecido após anos de ZIRP (política de taxa de juros de zero por cento). Isso é importante porque a alocação convencional de ativos depende de títulos que se movem em oposição às ações durante um declínio conforme o Fed reduz as taxas de juros em face da turbulência econômica, mas isso pode ser difícil de alcançar com as taxas de juros atualmente baixas.

Além disso, o mercado imobiliário subiu para avaliações de bolha extremas (mas permanece abaixo das avaliações recordes de 2006-2007).

E por fim, temos as commodities, elas atingiram valorizações recordes em relação às ações. Isso também é extremo e raro, mas na direção oposta de todas as outras classes de ativos.

O ponto é que todas as principais classes de ativos estão – simultaneamente – em (ou perto) de um extremo na avaliação. Isso não pode ser negligenciado, é importante.

Três Maneiras de Avaliar Qualquer Ativo

Para entender as implicações dessa afirmação, vamos primeiro estabelecer uma base comum de entendimento. 

Temos três maneiras de se avaliar qualquer ativo, observe:

1. A Teoria do Grande Tolo (The Greater Fool Theory)

  • No mercado imobiliário: eles chamam isso de “vendas comparáveis”.
  • Em ativos de papel: como ações e títulos, é o valor da transação mais recente.

A implicação é que o preço de mercado atual representa o valor justo de mercado porque é o preço pelo qual os compradores e vendedores dispostos a negociar.

O problema é que ele é absolutamente inútil para indicar bolhas porque, na verdade, apenas diz o que outros tolos estão dispostos a pagar por algo.

2. Preço dos Ativos

  • No mercado imobiliário: isso seria uma análise do custo de reposição, ou quanto custaria para reconstruir a estrutura líquida de depreciação.
  • Em ativos de papel: é o valor contábil ou índice Q como uma medida dos ativos subjacentes por ação.

Essa é uma medida de risco muito importante. Ela informa o prêmio ou desconto que você paga em relação ao valor do ativo.

Prêmios extremos estão associados a períodos de exuberância irracional com alto risco, e descontos extremos estão associados a períodos de medo, menor risco e maiores retornos de investimento subsequentes.

3. Receitas dos Ativos

  • Na renda imobiliária: é – habitualmente – considerado o NOI (receita operacional líquida), ou no varejo residencial, é frequentemente medido como multiplicador de aluguel bruto. Pode encontrar como construir esses números nessa calculadora aqui.
  • Em ativos de papel: é o P / L ou índice de preço- lucro, ou índice de preço- lucro ajustado ciclicamente. Caso tenha investimentos diretos no mercado americano, pode utilizar as avaliações do CAPE.

Essa é a minha medida de avaliação favorita para indicar risco porque, “no frigir dos ovos”, o valor de qualquer ativo é o valor presente descontado de seus fluxos de caixa.

Esse é só um jargão econômico chique para dizer que um ativo vale o que ele ganha.

Ou seja, ele mede o valor presente com base nos benefícios futuros da propriedade/investimento/negócio.

Os Pontos de Interseção das Avaliações

Cada um desses três métodos fornece uma medida objetiva – e diferente – de avaliação para qualquer ativo. Conclusões interessantes surgem quando você os compara e contrasta.

Existem dois pontos principais a serem considerados:

  1. Os extremos na avaliação fornecem o maior valor de informação. Ocorre uma forte significância estatística que afeta a expectativa matemática em extremos de avaliação (como hoje).
  2. O segundo ponto importante é que preço e valor de investimento são duas coisas separadas e distintas que nunca devem ser confundidas. Deixar de fazer essa distinção acabará por custar-lhe uma verdadeira fortuna em dinheiro.

Apesar dos rumores acadêmicos sobre a hipótese de mercado eficiente e outras estruturas teóricas que apoiam a filosofia de compra e manutenção, oportunidades  – estatísticas – de investimentos válidos ocorrem quando o preço e o valor do investimento divergem de forma extrema.

Isso ocorreu em momentos selecionados ao longo da história e, mais importante (além de ser a razão para este artigo), ocorre novamente agora.

Uma Revisão e Resumo da Bolha de Investimentos de Hoje

E assim, essa longa análise dos métodos de avaliação define o contexto para a compreensão da nossa bolha atual de ativos.

Eu a chamo – com relativa segurança – de bolha de ativos porque nenhuma das principais classes de ativos (ações, títulos, imóveis) faz qualquer sentido de investimento quando avaliada em relação aos dois únicos critérios de avaliação que importam – preço(2) e renda(3) – conforme descrito acima.

Eles são todos avaliados com muita proximidade de um prêmio de risco extremo em relação aos ativos e renda.

Essa afirmação, carrega os seguintes desdobramentos:

  1. Os retornos esperados ao longo de 7-15 anos serão menores e mais voláteis do que as médias históricas. Essa é uma linguagem politicamente correta para dizer algo impensável para a turma do buy and hold. Entramos em um período em que o risco de possuir ativos no mercado de ações nos próximos 7 a 15 anos não justifica o retorno no mesmo período.
  2. A única coisa que sustenta o mercado altista atual, nas principais classes de ativos, é o impulso das métricas de avaliação da “Grande Teoria do Tolo”, descrita acima. Enquanto prevalece o impulso/ritmo, o mercado ainda pode subir dramaticamente no curto prazo. Embora ele seja uma força poderosa, a reversão à média garante que todos os ganhos de curto prazo entre agora e o topo final serão devolvidos abruptamente.
  3. Um investidor inteligente deve se atentar para quando as condições de bolha – descritas acima – estiverem satisfeitas. Isso indica o ponto de inflexão final porque a avaliação e as evidências anedóticas são ferramentas muito contundentes que podem errar por anos. A sobrevalorização é um precursor necessário para uma bolha, mas não é suficiente. Observe como cada uma das descrições anteriores do topo da bolha em 2000 e 2007 discutiu uma janela de 2 anos. O mesmo é verdade com esta análise.

Portanto, enquanto o primeiro ponto afirma – inequivocamente – que já entramos em um horizonte de investimento de prazo intermediário desfavorável de 7 a 15 anos, os itens 2 e 3 nos dizem que o curto prazo permanece indeterminado até que os fatores restantes estreitem a janela de tempo.

Dito de outra forma, estamos perto do fim desta corrida histórica dos touros. O resultado de uma bolha de ativos de proporções épicas que acabará em perdas significativas para os investidores, mas algumas peças do quebra-cabeça estavam ausentes… até muito pouco tempo.

A janela está quase fechando…

Saiba como tratar um mercado de ações supervalorizado

Um Mercado Sem Manias… até agora

O aspecto mais desconcertante de toda essa bolha é como ela está calma. Não é assim que as bolhas explodem.

A maioria das bolhas termina sua fase de sobrevalorização com uma fase de rápida aceleração de preços que causa riquezas repentinas para os “investidores” (especuladores e sortudos). O resultado é a atenção da mídia de massa e uma polarização da opinião pública.

No entanto, essa fase final de aceleração geralmente começa a partir de níveis de avaliação mais baixos do que os que já temos hoje e – geralmente – ocorre em um único mercado, não todos os principais mercados simultaneamente. É onde aparecem todos os sintomas do excesso.

Em outras palavras, embora todos os três principais mercados tenham marchado implacavelmente para altas de preços recordes (e rendimentos baixos recordes), criando uma supervalorização histórica, não houve nenhuma indicação clara de uma febre especulativa para criar um vácuo sob os preços, e seu subsequente colapso. 

Em vez disso, há baixa volatilidade recorde, nenhum espírito animal, nenhuma curva de crescimento assintótica, nenhuma história maluca de riquezas repentinas.

Ou seja, até recentemente – não tínhamos nenhuma das evidências circunstanciais que apoiam que os espíritos animalescos insanos assumiram o controle do mercado em um acesso de ganância especulativa.

Cada topo do mercado em alta tem seu garoto-propaganda de exuberância irracional, onde o comprovado senso econômico comum foi jogado pela janela porque “desta vez é diferente”.

  • O mercado altista de 73-74 teve o “Nifty Fifty”;
  • O topo de 2000 foi marcado pela bolha das pontocom e pela revolução da internet, e;
  • O topo de 2007 teve avaliações imobiliárias insanas, apoiadas pela crença de que os imóveis nunca caíram.

Isso nos traz um círculo completo até hoje – Bitcoin – e o motivo de ter escrito esse artigo. Avisar que finalmente entramos na janela do tempo onde precisamos parar e levar a sério o gerenciamento de risco.

Como O BitCoin Atende aos Critérios de Mania Especulativa

Há uma longa história de bolhas sendo marcadas pela emissão de um novo “tipo de moeda” que captura a imaginação do público, resultando em negociações febris.

O Bitcoin e todos os seus descendentes forneceram um dos principais indicadores de topos do mercado – a febre irracional e especulativa baseada em “desta vez é diferente”.

  • O Bitcoin tem um aumento assintótico de preços.
  • Há muitas histórias de pessoas comuns obtendo riquezas instantâneas com o Bitcoin.
  • O Bitcoin está em toda parte na imprensa financeira.
  • O Bitcoin falha completamente nos dois critérios de avaliação primários listados acima para a análise de um investimento – não tem valor intrínseco e não rende receita.
  • Ele é puramente uma especulação e não um investimento, assim como as ações da Tulip Bulbs e do Mississippi foram. Pode ir para ao milhão ou pode ir para zero. Não há valor intrínseco, exceto o que as mentes humanas decidem atribuir a ele.
  • O Bitcoin se recupera com o apelido de “desta vez é diferente”. É uma nova moeda, livre da manipulação do governo, com oferta limitada e parte da revolução digital. Difere desta vez, porque cada bolha é sempre diferente.

Mas há um problema com essa análise…

A importante supervalorização com a qual precisamos nos preocupar é em ações, títulos e imóveis; no entanto, a bolha ocorreu em um mercado totalmente não relacionado – criptomoeda.

Essa diferença me incomoda.

Se o colapso ocorresse nas ações, a ordem normal dos eventos seria inflar a bolha das ações para criar o vácuo sob os preços para o declínio subsequente.

Isso ainda não ocorreu, o que torna esta bolha em particular tão desconcertante.

Em outras palavras, você tem avaliações de bolha em ações, títulos e imóveis agora (janeiro de 2021), mas nenhuma fase final de aceleração de preços que polarize a emoção do público.

O nível de supervalorização extrema cria a condição necessária para o colapso dos preços, mas historicamente isso não tem sido suficiente por si só.

Além disso, o fato de todos os três mercados estarem extremamente sobrevalorizados – todos em simultâneo – é incomum e arriscado.

A questão é que geralmente há uma fase de aceleração e mania pública no mercado que entra em colapso.

Vemos isso no Bitcoin, mas não em outros mercados importantes.

O que me Assusta sobre o Bitcoin

Acredito que o Bitcoin seja um sintoma do problema real. Não será a causa.

Deixe-me ser bem transparente… Eu acredito que o blockchain é – exatamente – a revolução que os proponentes afirmam ser. Ela vai mudar nossas relações comerciais (por conseguinte nossas vidas) de maneiras que mal podemos imaginar, assim como a internet, ela foi (100%) a revolução que se dizia ser na década de 1990.

Essa parte da história é provavelmente real.

Assim como a internet ter cumprido o seu “destino” não impediu os investidores na bolha das pontocom de serem soterrados; os investidores na bolha da criptomoeda enfrentarão um destino semelhante, apesar do ‘blockchain’ ainda ter um papel a cumprir.

Ou seja, não me assusta uma bolha nas criptomoedas.

Isso é muito pequeno, muito óbvio e muito desconectado de fundamentos econômicos importantes para ser algo mais do que uma distração interessante, curiosa – e até divertida.

O que me preocupa são as premissas que impulsionam a bolha da criptomoeda.

É o anti-governo.

A febre especulativa é impulsionada pelas massas que desconfiam de toda a manipulação econômica do governo e da moeda fiduciária. Se você não tiver certeza sobre essa premissa, tente imaginar se o Bitcoin ganharia interesse especulativo em um mundo de moeda forte, lastreada em ouro, onde não havia inflação, um centavo teria o mesmo poder de compra daqui a 3 gerações, governos equilibrados, seus orçamentos equilibrados, e sem nenhuma crise de dívida iminente.

Quando você envolve sua cabeça nesta estranha ordem mundial, você percebe que não haveria cripto mania, porque não haveria nenhum problema para a criptomoeda resolver.

Dito de outra forma, todas as sequências de bolhas de ativos financeiros – nos últimos 40 anos – tiveram seus alicerces em uma moeda fiduciária e à manipulação da política governamental na economia. A atual bolha de criptomoedas é o exemplo mais evidente.

O fato da atual bolha ser uma moeda da nova era, fora da política governamental, fornece uma referência poética – bastante perturbadora – a tudo o que está economicamente errado hoje com a política governamental e a psicologia de massa que impulsiona os espíritos ‘animaloides’.

De forma perversa, o Bitcoin se tornou uma aposta positiva contra o sucesso contínuo do governo em fabricar um crescimento econômico estável por meio da manipulação financeira.

Digo perverso porque a aposta natural – com uma perda de fé – seria vender ativos de risco e / ou a própria moeda nacional (o dólar, o real, o euro… seja qual for).

Mas a bolha especulativa de hoje é tão persistente e difundida em todas as classes de ativos que conseguiu criar uma nova bolha especulativa “longa” que é essencialmente uma posição “curta” contra todas as outras bolhas especulativas que – concomitantemente – acontecem.

Pior ainda, o público “entende”.

A descrença em nosso sistema financeiro fiduciário é agora tão generalizada que resultou em uma febre especulativa antigovernamental entre as massas.

Enquanto isso, ativos de risco marcham implacavelmente para novos picos, tal qual fazem os lêmingues no mar.

Nunca vi nada igual. Tampouco tenho ciência de algo histórico semelhante.

Uma sutil e engendrada perspectiva – embora diametralmente oposta. Quase poético.

Desta vez é realmente diferente (ou quase, de todas as formas erradas).

E agora o dólar (assim como o real) está finalmente caindo, que é o que você normalmente esperaria para essa perspectiva emocional.

Não é bom…

O Ingrediente Inusitado

Outro aspecto das bolhas que aprendi a esperar é ser atacado pessoalmente perto do topo por defender opiniões contrárias que incluem gerenciamento de risco prudente.

Aconteceu todas às vezes e marca o pico emocional em que a opinião pública é tão unilateral que a simples ideia de se gerenciar risco, invoca uma resposta emocional e irracional. Até algum tempo atrás, ele não estava nesta bolha, mas isso também mudou…

Recentemente, acompanhei um podcast (sem listar nomes – nada se ganha em apontar o dedo) direcionado à comunidade FIRE (independência financeira aposentadoria antecipada). No episódio, foi apontado como a abordagem de investimento convencional para FI (alocação de ativos de índice passivo de baixo custo em ativos de papel) carecia de um  gerenciamento de risco de investimento mais adequado para o ambiente de mercado atual.

Surpreendentemente, foi a entrevista mais polêmica e polarizadora da história do programa. Receberam infinitos comentários no grupo de discussão, mais do que qualquer outro episódio. Os ouvintes ou adoraram, declarando-o o melhor episódio até agora, ou odiaram.

O proponente foi chamado de todas as formas de “lixo”, sua reputação profissional foi questionada e fui – até – atacado pessoalmente. As pessoas ficaram tão emocionadas que vários disseram ter até dificuldade em ouvir e outros comentaram como foi “um tapa na cara”.

“Fala sério André, foi uma entrevista em áudio onde foi discutido tópicos financeiros e gerenciamento de risco. E dai?”

Eu acompanho muitos podcasts e nunca vi uma reação como essa. A resposta normal é que os ouvintes apreciam uma conversa interessante, onde ideias diferentes são compartilhadas. É apenas uma conversa, um bate-papo.

No entanto, eu cometi um erro crucial. Embora seja uma verdade irrefutável para quem conhece e acompanha os números, pouco elucidei sobre essa sobrevalorização extrema. O que polariza o sentimento da comunidade ser totalmente alocada neste mercado em alta, sem nenhuma disciplina séria de gestão de risco.

Mesmo corroborado pela pesquisa do próprio canal, que mostrava que eles possuem 90% (ou mais) de seus ativos em ações. Muitos conquistaram – recentemente – uma independência financeira precoce ou esperam se aposentar em breve, com base em suas carteiras de ações. Logo, esse evento exigiria a construção completa de uma nova perspectiva.

Em retrospectiva, é óbvio que eles responderiam com emoção e agressividade a pontos de vista alternativos! É algo bem obvio de se perceber agora! Era questão uma de segurança financeira e planos de vida futuro. Eles dependem do comprar e manter funcionar no futuro, como funcionou no passado.

No fim das contas, essa resposta emocional polarizada foi idêntica a outros topos do mercado onde, em 2006, os profissionais do mercado imobiliário me xingaram e me chamaram de “estúpido” por sacar todos os meus investimentos imobiliários e pagar os impostos para administrar o risco de queda. Em cada situação essas pessoas estavam investidas e suas seguranças financeiras dependiam da continuação da bolha da época.

Isso torna as respostas emocionais um indicador-chave do contrário.

O Bitcoin é apenas um sintoma, não o verdadeiro problema.

A Chegada do Ingrediente Final

E isso nos deixa com tudo pronto (quase) para um topo histórico do mercado final de proporções épicas (medido em termos de uma década ou mais), exceto por duas coisas …

  1. Temos uma supervalorização extrema. Agravante: A sobrevalorização ocorre – simultaneamente – em todas as principais classes de ativos; exceto commodities, que é o polo oposto.
  2. Temos uma mania especulativa que conquistou a psicologia de massa. Agravante: Essa mania especulativa é anti-moeda e anti-governo. O que implica em perda de confiança no sistema que sustenta as bolhas em todas as outras classes de ativos.
  3. Temos um pico emocional demonstrado pelo comportamento agressivo à opinião contrária que defende o gerenciamento de risco.
  4. ?????
  5. ?????

Mas, ainda faltam duas coisas para tornar esta análise sólida como uma rocha.

O primeiro fator que falta é que os principais mercados realmente entrem em colapso.

Analisar a “quebra” está além do escopo deste artigo – já muito longo – porque abrange indicadores internos de mercado como spreads de crédito, divergências entre índices de ações, curvas de rendimento, sentimento do investidor, dinâmica de preços, indicadores de qualidade, indicadores econômicos, M & A / Indicadores de IPO e muito mais.

No entanto, é importante notar que este artigo está sendo publicado no início de fevereiro de 2021 e não meses ou anos atrás, quando as avaliações já eram altas, o que significa que os indicadores internos de mercado estão ficando “mais quentes”.

Mas o “aquecimento” ainda não foi “acumulado”, então, até que vários indicadores internos falhem, ainda não temos evidências claras de falha de continuidade.

Isso significa que os espíritos animais permanecem no controle. O relógio está correndo, mas ainda não deu a última badalada da meia-noite.

A segunda é como a fase de aceleração que causa riquezas repentinas, resultando na atenção da mídia de massa, ocorreu em um mercado não relacionado – criptomoeda. Nenhum dos principais mercados (ações, títulos, imóveis) passou pela fase de aceleração repentina de preços que caracteriza um topo final… ainda. Isso deixa aberta a possibilidade de que essa fase de aceleração repentina ainda ocorra.

No entanto, sua principal lição deve ser como todas as outras evidências deixam claro como essa festa só pode continuar por um curto prazo (de agora para menos de 2 anos no lado extremamente positivo, provavelmente menos).

Agora estamos no ponto em que esta é uma bola de sabão e procura por um alfinete. Qualquer aumento contínuo apenas leva à queda, e quaisquer novos ganhos devem ser rapidamente revertidos assim que a desaceleração começar.

Esta festa está em um horário emprestado, por isso queria dar este aviso.

Sim, ainda é possível para um (ou mais) dos principais mercados passar por uma fase final de aceleração de preços para limitar as coisas, o que faria com que o horizonte de tempo mais longo chegasse a 2 anos. Mas as supervalorizações já são altas o suficiente e há evidências anedóticas suficientes que torna – no mínimo prudente – tocar o sino de alerta e chamar a equipe defensiva (gerenciamento de risco) para se proteger contra perdas excessivas.

Como Funciona o Gerenciamento de Riscos (Barra) Solução

A gestão de risco atua como seguro. É um desperdício total de dinheiro quando não existem problemas, mas quando ocorre um desastre, ele te salvará de uma perda que pode mudar sua vida.

Você entende – intuitivamente – como isso funciona com o seguro residencial, que aguarda por cada renovação, como um pequeno desperdício de dinheiro, mas quando ocorrer um raro incêndio, o seguro será a única coisa que te salvará de um desastre financeiro.

Investidores inteligentes que praticam a gestão de risco e têm renovado suas políticas sem nem mesmo uma faísca (volatilidade do mercado) ou incêndio (mercado baixista), há anos. Facilmente é visto como um desperdício completo.

Isso está para mudar.

Ninguém tem uma bola de cristal, então não posso dizer exatamente quando a psicologia de massa ficará sóbria, ou se vamos passar por uma fase final de aceleração nos principais mercados antes que eles entrem em colapso, mas a reversão significa que está muito mais perto e estará muito mais feio do que qualquer investidor deseja suportar em uma base de buy and hold.

Existem evidências suficientes de que é prudente ser cauteloso. Sim, seria normal experimentar uma aceleração de preços até antes de entrar em colapso, o que poderia estender essa etapa até um máximo de 2 anos, mas a amplitude e a profundidade da sobrevalorização já são anormais. Este não é apenas um mercado supervalorizado. São todos os principais mercados (exceto commodities).

Além disso, a mania da criptomoeda ter alcançado a consciência de massa é um aviso de possível perda de fé nas soluções de política econômica do governo (de todos os governos), o que é particularmente preocupante porque a crença na política onipotente dos Bancos Centrais é a única coisa que encurtou cada um dos colapsos anteriores resultantes em bolhas cada vez maiores.

Por esses motivos, agora faz sentido errar por excesso de cautela ao colocar em prática suas estratégias de gerenciamento de risco. O gerenciamento de risco adequado permitirá que você ainda participe se a festa continuar, mas dará ao seu portefólio uma proteção contra perdas quando a bolha estourar.

Para ajudá-lo, tenho um minicurso 100% gratuito sobre gestão de risco de investimentos neste boletim informativo.

No entanto, se você não quiser esperar tanto tempo, você pode obter todas essas instruções (e muito mais) no meu curso avançado de construção de riqueza aqui. Ele mostrará como estruturar seu portfólio para gerenciar melhor os riscos, incluindo riscos de eventos extremos.

Embora eu não possa explicar todas as estratégias possíveis de gerenciamento de risco, algumas ideias viáveis ​​incluem:

  • “Diversificação profunda” (onde você diversifica por estratégia e fonte de retorno, não apenas por classe de ativos, identificando fontes de retorno que se correlacionam inversamente com o mercado de ações)
  • Diversifique em determinados negócios e ativos imobiliários onde o resultado é impulsionado por uma microeconomia
  • Diversifique em ativos alternativos
  • Mudar para um processo de investimento que inclui uma disciplina de saída
  • Aumentar a alocação em dinheiro
  • Mudar de alta volatilidade e ativos de alto delta para ativos de baixa volatilidade
  • Diversificar em ativos com valor favorável que podem incluir jogos de valor doméstico, alguns mercados emergentes, commodities e produtores de commodities
  • E muito, muito mais

Existem muitas estratégias de gerenciamento de risco a serem consideradas que podem ajudá-lo a proteger seu patrimônio, mas você não pode esperar até que tudo se resolva antes de colocá-las em prática.

Depois que a maré baixa, todos podem ver quem está pelado.

O atual extremo na avaliação (e outras evidências anedóticas) deixa claro que uma reversão à média igualmente extrema é um fato consumado. É apenas uma questão de “quando”, não “se”.

Você não precisa prever o resultado para se beneficiar; você apenas tem que se preparar.

Espero que este aviso (e este curso) te ajudem a pensar sobre os problemas para que não seja pego de surpresa.

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O Planejamento de Expectativas de Riqueza mostrará como criar um roteiro financeiro para o resto de sua vida e fornecerá todas as ferramentas de que você precisa para segui-lo.

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Sobre o Autor

André Marinho

André gosta de escrever sobre estratégia avançada de riqueza, investimento e planejamento de aposentadoria para leitores que já passaram da baboseira "10 dicas para economizar R$ 100,00" encontrada em outros lugares e estão prontos para dar o próximo passo.

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